sábado, 28 de julho de 2007

Caça às bruxas

Ao ler alguns colunistas ou bloguistas-jornalistas e comentaristas de blogs (desculpem-me tantos "istas"), parece-me que estamos nos anos 50 ou 60, na época da caça às bruxas anti-comunista, com seu linguajar reacionário, preconceituoso, fascista e ignorante. Os integrantes do Governo Lula e os petistas tornaram-se bandidos (petralhas), maquiavélicos, autoritários, dissimulados, obscenos, sórdidos, enfim, a encarnação do mal, desumanizados. Se não vivêssemos em outros tempos, era de fazer tremer. Pois desumanizar o outro é o primeiro passo para justificar os piores crimes, como víamos com o nazismo, fascismo, stalinismo, etc.. Vamos com calma! Esse Governo não é formado nem por anjos nem demônios, mas apenas por seres humanos, com seus interesses, desejos e sentimentos bons e maus.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Gestos obscenos

Sou evangélico. De puritanismo, entendo. Não me refiro ao puritanismo aqui como o movimento religioso protestante do século XVII, cujos membros fundaram os Estados Unidos, mas no seu sentido pejorativo mesmo, de moralismo farisaico, hipócrita, pudico. Por isso fiquei surpreso com a postura hipócrita e moralista da mídia em relação aos gestos obscenos do assesor da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e seu auxiliar.As críticas não foram apenas para o possível alvo dos gestos, neste caso, as vítimas da tragédia do vôo 3054 da TAM, mas para o gesto em si mesmo, como se no ambiente privado ou fechado as pessoas não falassem palavrão ou gesticulassem obscenamente. No Governo do PT, a mídia tornou-se moralista e, agora, moralista puritana. Além da minha moral cristã protestante, tenho também outro costume: não pensar ou interpretar as pessoas, fatos ou situações de forma negativa à primeira vista. Sendo assim, crer que os gestos obscenos do Prof. Marco Aurélio era em desprezo às vítimas da TAM, seria vê-lo como um mostro desumano, o que me parece que ele não é.

Outubro/2005

Outubro 31, 2005
Funeral do mito do brasileiro cordial e pacífico
By laercio
Dentre as várias explicações para a vitória esmagadora do NÃO no referendo que perguntava se a comercialização de armas deveria ser proibida no Brasil, creio que os estudiosos e analistas esqueceram de uma, para mim, principal. Há no país uma cultura de violência arraigada secularmente em nossa sociedade. Só que esta violência não é canalizada para as revoluções, revoltas ou lutas políticas em defesa de uma causa. Talvez por falta de consciência de cidadania ou alienação, causada pelo nosso alfabetismo crônico. A violência do brasileiro se expressa no cotidiano, na vingança do dia-adia, na defesa da honra, na afirmação da virilidade ou recalque originado das desigualdades sociais. O referendo sobre a proibição de venda de armas matou, de uma vez por todas, o mito do brasileiro pacífico ou cordial. Meus pêsames.
Publicado em: Seg, Out 31 2005 9:03 PM
Outubro 19, 2005
Referendo desperta instintos primitivos de nossa sociedade
By laercio
As discussões do referendo sobre a proibição de vendas de armas que acontece no próximo domingo, dia 23 de outubro, têm despertado os "instintos mais primitivos" de nossa sociedade. Os argumentos a favor do Não revelam o reacionarismo, conservadorismo e truculência latentes em nossa cultura, principalmente, entre as camadas mais abastardas. O valor maior a ser defendido é o da propriedade e não o da vida. Ainda mais se essa vida for dos pobres. Querem nos levar à barbárie. Cada um por si deve defender-se, claro que só aqueles que podem comprar uma arma. Lixem-se as estatísticas, os assassinatos por motivos banais e acidentes, além do recorde de mortes por armas de fogo que o Brasil ostenta. Eu voto SIM! Arma só serve para matar e a vítima pode ser aqueles que defendem o NÃO!
Publicado em: Qua, Out 19 2005 9:01 PM
Outubro 1, 2005
Jornalismo de ilações
By laercio
Ou as regras do bom jornalismo mudaram, e não percebi, ou convivemos com o jornalismo de ilações. Não são necessários fatos, testemunhas, provas e julgamento da Justiça, basta apenas parecer ou confirmar uma tese ou suspeita. Políticos fazem isso. Buscam interpretar os fatos segundo as suas conveniências. Mas a imprensa não deveria seguir o mesmo caminho. Estamos diante de uma crise política que está decrescendo em intensidade. A mídia faz uma campanha feroz por cassações e punições de alguns envolvidos, mesmo não tendo provas, apenas suposições. E a verdade dos fatos? Alguns jornalistas usam vários tipos de argumentos, até depreciativos, para desqualificar os seus críticos, tudo em nome da liberdade de imprensa. Mas os mesmo argumentos não podem ser utilizados contra a imprensa. Por que?
Estes jornalistas nunca ouviram falar de Nietzche, Marx, Freud? Não há fatos, mas versão dos fatos, interesses, visão de mundo, etc.. A liberdade de imprensa não pode ser um direito absoluto o qual aqueles que o obtém tornam-se castradores do direito alheio. Que dita as regras e ordena: fale! cale! aceite! não se defenda! não critique! O preço da democracia é a eterna vigilância. Tanto dos direitos quanto dos deveres. E nunca devemos esquecer: a liberdade de imprensa não é a liberdade de imprensa da empresa jornalística.
Publicado em: Sáb, Out 1 2005 11:25 AM

Setembro/2005

Setembro 10, 2005
Política, hipocrisia e amnésia de conveniência
By laercio
A política é a arte de esquecer e lembrar. O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, foi eleito em fevereiro de 2005 com 300 votos. Os deputados esqueceram naquela ocasião em quem estavam votando, tanto os falsos e mesquinhos governistas como os da oposição irresponsável. Em 40 anos de vida pública, a sua fama era de um político fisiológico e provinciano, de moralismo religioso, porém com pouco senso ético. Agora, por conveniência, os eleitores de Severino da oposição começaram a lembrar da sua incapacidade ética e intelectual para representar a Câmara dos Deputados.
A lembrança tornou-se mais forte quando Severino tornou-se, neste momento de grave crise e diante da possibilidade de um impeachment de Lula, um grande aliado do governo. Nesta estratégia política de lembrar e esquecer, lembraram da propina recebida por Severino de um empresário que administra o restaurante na Câmara. Ou será que esta denúncia caiu do céu assim de repente? O mais doloroso é constatar que na maioria dos políticos há coisas para lembrar e esquecer... dependendo da conveniência. Quem não se lembra do esquecimento pela mídia e pelos políticos da fama e história de Antônio Carlos Magalhães quando presidia o Senado Federal no Governo FHC? Lembra?
Publicado em: Sáb, Set 10 2005 11:22 AM
Setembro 6, 2005
Muita fumaça para pouco fogo?
By laercio
Tenho uma tese, provavelmente falsa, que quando uma situação é muito complexa, complicada, a melhor forma de entendê-la, explicá-la ou desvendá-la é simplificando-a. Deste modo a explicação para o esquema de Marcos Valério, Delúbio & Cia. esteja realmente nos depoimentos que deram, lógico descontando algumas mentiras e omissões. Eles alegam que a origem do dinheiro para os deputados são empréstimos tomados pelo publicitário junto aos bancos Rural e BMG. A CPI dos Correios não consegue encontrar dinheiro público no esquema, os empréstimos parecem que ocorreram realmente e os bancos já estão cobrando na Justiça. Sendo assim, endosso a hipótese da jornalista Tereza Cruvinel em seu blog (http://oglobo.globo.com/online/blogs/tereza): "Valério investia no PT tentando viabilizar a entrega do espólio do Banco Mercantil ao Rural, que lhe pagaria uma comissão de 250 milhões de reais. Com isso ele quitava os empréstimos (uma comissão dissimulada ao PT pela ajuda no negócio). Só que o negóciou gorou, ele tentou outros (IRB, venda da Telemig) e todos deram errado. Nisso, Jefferson explodiu tudo." Ou seja, sabido demais se atrapalha.
Publicado em: Ter, Set 6 2005 11:09 AM

Agosto/2005

Agosto 26, 2005
Palestina: lembranças de um terra ocupada
By laercio
Na última terça-feira, Israel terminou a retirada de 25 colônias dos territórios palestinos ocupados. Foram 21 na Faixa de Gaza e 4 na Cisjordânia. Com isso a mídia finalmente lembra e afirma com todas as letras que os colonos estavam em territórios palestinos e que aquela ocupação era ilegal. Mas só agora? Estas terras estão ocupadas há 38 anos. Os palestinos têm suas casas destruídas, terras confiscadas sem indenização, sofrem dura repressão do exército israelense, seu jovens são assassinados, mas os seus sofrimentos não são notícias.
Pelo menos as imagens da resistência e choro dos colonos israelenses, mostrados pela mídia no mundo todo, talvez sirvam para lembrar que os palestinos choram há 57 anos, desde a fundação do Estado de Israel, em 1948. São milhões de refugiados desde então, sem casas, sem terras, sem nada. A injustiça cometida contra o povo palestivo é tão grande que chega doer. Em uma situação de injustiça não há meio termo, as pessoas têm que tomar partido, escolher um lado. Não há como tratar os desiguais como iguais, acusando quem assim faz de parcialidade. Faltam ainda as colônias da Cisjordânia. Há ainda um longo caminho para se chegar a paz. Sem um mínimo de justiça isto será impossível.
Publicado em: Sex, Ago 26 2005 10:21 AM
Agosto 24, 2005
O que é isso companheiro?
By laercio
Estamos vivendo em plena crise política no Brasil. Saiu ontem uma pesquisa do Ibope em que o presidente Lula perderia para José Serra no segundo turno, além de mostrar que a sua popularidade despencou para 45%. Estamos voltando ao que éramos, com o prejuízo de termos perdido o bonde e a esperança em um político e em um partido: Lula e PT. Triste sina a nossa. Depois falarei mais sobre o assunto.

Publicado em: Qua, Ago 24 2005 11:02 AM